Como vender seu imóvel aceitando carro na troca (passo a passo e contrato)
Revisado em 04 de novembro de 2026 · Conteúdo informativo, não substitui orientação jurídica nem contábil.
Para vender um imóvel aceitando carro, defina antes até quanto aceita e por quanto da tabela FIPE o carro conta. Antes de fechar, confira débitos, multas e gravame do veículo, faça uma vistoria e escreva no contrato o carro como parte do pagamento, com valor acordado, e a data da transferência no Detran.
Por que aceitar carro amplia os compradores
Muita gente que quer comprar um imóvel tem parte do dinheiro "parada" num carro. Quando o dono aceita o carro como parte do pagamento, essa pessoa passa a caber no negócio sem precisar vender o carro antes. No Tenho e Quero, o comprador informa o carro pela tabela FIPE e o site mostra se ele encaixa no que você aceita.
1. Decida o teto antes de anunciar
Diga até quanto você aceita em carro, em reais ou em percentual do preço. Exemplo: numa casa de R$ 480 mil, aceitar carro de até R$ 60 mil. Isso evita conversa com quem quer pagar quase tudo em veículo.
2. Combine por quanto da FIPE o carro conta
A tabela FIPE é uma referência, não um preço garantido. É comum aceitar o carro por 85 % a 100 % da FIPE, conforme estado, quilometragem e facilidade de revenda. No anúncio do Tenho e Quero você escolhe esse percentual.
3. Confira o carro antes de fechar
- Débitos: IPVA, licenciamento e multas, no site do Detran do estado.
- Gravame: se o carro está alienado a um banco (financiado), ele só pode ser transferido depois da quitação.
- Restrições: roubo, furto, bloqueio judicial ou administrativo.
- Recall: consulte no site da montadora pelo chassi.
- Vistoria cautelar: um laudo independente mostra se o carro já foi batido, recuperado ou teve o chassi adulterado.
4. Escreva no contrato
O carro entra como dação em pagamento (Código Civil, artigos 356 a 359): uma parte do preço é paga com um bem em vez de dinheiro. O contrato de compra e venda do imóvel deve trazer:
| O que constar | Exemplo |
|---|---|
| Identificação do carro | marca, modelo, ano, placa, chassi e Renavam |
| Valor acordado do carro | R$ 55.000 (90 % da FIPE de outubro) |
| Estado do carro | "no estado em que se encontra, conforme laudo de vistoria anexo" |
| Débitos | quem paga débitos anteriores à entrega |
| Data e local de entrega | junto da assinatura da escritura, por exemplo |
| O restante do pagamento | entrada, financiamento ou parcelas |
5. Faça as duas transferências
- Carro: quem vende o veículo deve comunicar a venda ao Detran e quem compra tem prazo para transferir (Código de Trânsito Brasileiro, artigos 123 e 134). Façam juntos para não haver multa em nome errado.
- Imóvel: escritura no tabelionato de notas (ou contrato com força de escritura, no caso de financiamento bancário) e registro na matrícula, no cartório de registro de imóveis. O ITBI é pago à prefeitura antes do registro.
Cuidados que valem para qualquer troca
- Nunca entregue a chave da casa antes de receber o carro com a documentação em ordem.
- Peça a matrícula atualizada do imóvel e o documento de quem assina.
- Se houver ganho de capital na venda do imóvel, o valor do carro conta como parte do preço recebido para o Imposto de Renda. Confirme com um contador.
Perguntas frequentes
O valor da tabela FIPE é o preço do carro?
Não. A tabela FIPE é uma referência de preço médio de anúncio, calculada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. O valor que entra no negócio é o que vocês combinarem, e é comum aceitar o carro por um percentual da FIPE.
Quem paga a transferência do carro?
Quem recebe o carro (no caso, o dono do imóvel) costuma pagar a transferência no Detran, mas isso pode ser combinado e deve ficar escrito no contrato.
Posso aceitar carro e o comprador financiar o resto?
Pode, mas o banco olha o valor do imóvel e a entrada em dinheiro. O carro entra como acordo entre vocês, fora do financiamento. Combine com o banco antes de assinar.
O Tenho e Quero avalia o carro ou faz o contrato?
Não. O site só mostra quem combina com quem e abre a conversa no WhatsApp. A avaliação, a vistoria e o contrato ficam com vocês, de preferência com um advogado ou o cartório.
Leis citadas: consulte sempre o texto vigente no Planalto e as regras do seu município e do seu cartório.